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Corrente Oceânica Desvia Rota no Japão, Aquece Mar em 6°C e Pode Ter Intensificado Chuvas ExtremasO
Por Administrador
Publicado em 27/05/2026 17:42
MUNDO

Uma mudança sem precedente na trajetória da Extensão Kuroshio alterou o ambiente marinho e atmosférico do nordeste japonês entre 2022 e 2025, com impactos registrados na pesca, nas temperaturas do ar e em episódios de precipitação intensa.

A Corrente Kuroshio, uma das principais correntes quentes do Pacífico Norte, passou a avançar para o norte no fim de 2022, alcançando a região próxima à Prefeitura de Aomori no inverno de 2023 — um deslocamento sem equivalente nas observações por satélite desde 1993.

Em condições normais, a Extensão Kuroshio segue predominantemente para leste, ao redor dos 36°N. Desde abril de 2023, porém, a corrente passou a formar um meandro acentuado para o norte, chegando a aproximadamente 40°N no inverno de 2024.

Com a mudança de rota, a temperatura da superfície do mar na região ficou cerca de 6°C acima da média durante o período de meandro extremo, registrado entre fevereiro de 2023 e janeiro de 2025, conforme dados divulgados por pesquisadores do projeto Habitable Japan.

A alteração não ficou restrita à superfície. Dados hidrográficos coletados pela Agência Meteorológica do Japão em maio de 2024 identificaram água subtropical quente e salgada entre 50 e 400 metros de profundidade em áreas normalmente influenciadas por massas subárticas mais frias. Levantamentos científicos também apontaram que o aquecimento se estendeu até cerca de 700 metros de profundidade em partes da região de Sanriku.

Impactos na pesca e na vida marinha

Pesquisadores registraram desde 2023 a presença de peixes típicos de águas mais quentes em áreas onde eles não eram comuns, incluindo espécies associadas a regiões meridionais observadas ao largo da Prefeitura de Miyagi pela primeira vez. Para comunidades pesqueiras, a reorganização da fauna marinha representa uma alteração direta nos períodos de captura e nas expectativas econômicas da região.

Atmosfera também sentiu os efeitos

O aquecimento prolongado aumentou a liberação de calor para o ar, especialmente durante o inverno, com efeitos que alcançaram camadas atmosféricas de até aproximadamente 2 quilômetros acima da superfície do mar.

A Agência Meteorológica do Japão apontou que as temperaturas elevadas nos mares ao redor do país podem ter contribuído para o calor extremo registrado no norte japonês em 2023, quando a média nacional de verão foi a maior desde o início da série histórica, em 1898.

Relação com chuvas intensas

Em estudo publicado em 2025, pesquisadores concluíram que a onda de calor marinha associada ao grande meandro da Extensão Kuroshio aumentou a disponibilidade de calor e vapor d'água para a atmosfera durante eventos de precipitação extrema registrados em setembro de 2023.

A diferença entre cenários simulados com e sem a anomalia oceânica chegou a cerca de 300 milímetros adicionais de precipitação em partes dos eventos avaliados — uma estimativa para situações específicas, não uma média nacional.

Episódio inédito nas observações

O meandro extremo persistiu até por volta de fevereiro de 2025. Em setembro daquele ano, pesquisadores informaram que a Extensão Kuroshio fluía em condição mais calma ao largo de Ibaraki, embora a trajetória posterior ainda dependesse de monitoramento contínuo.

Para os cientistas, o caso se distingue pela combinação entre alcance, duração e intensidade, sem registro semelhante em todo o histórico de observações por satélite. O episódio demonstrou como uma única corrente oceânica pode, simultaneamente, reorganizar a distribuição de organismos marinhos, elevar as temperaturas do ar sobre o oceano e amplificar a intensidade de chuvas em eventos extremos.

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