Um caso que remete diretamente à tragédia de Goiânia voltou a acender o alerta para o risco de materiais radioativos na América Latina.
O desaparecimento de uma cápsula contendo
Césio-137 de um instituto médico na região central de Rosário, na província de Santa Fé, mobilizou as forças de segurança e colocou a Argentina em estado de alerta nacional. O roubo foi confirmado pela Autoridade Regulatória Nuclear (ARN) do país em 16 de junho de 2026.
O material radioativo, usado para calibração de aparelhos de medicina nuclear, estava guardado em uma estrutura blindada de chumbo, projetada justamente para isolar a radiação. O césio-137 estava em forma de gel, armazenado dentro de uma garrafa plástica transparente.
O sumiço foi percebido quando técnicos do laboratório iriam usar a cápsula para calibrar equipamentos médicos. Diante da constatação, a ARN acionou o Sistema de Intervenção em Emergências Radiológicas
(SIER), além da Agência Federal de Emergências e da Polícia Federal Argentina, que já iniciou as buscas pelo material.
A investigação aponta para uma possível falha interna.
Apenas quatro pessoas tinham autorização para acessar a área onde o material era mantido, o que direciona a apuração para uma possível falha nos protocolos de segurança ou um acesso indevido por parte de alguém com autorização.
A orientação às autoridades é direta. Ninguém deve abrir, transportar ou manipular a cápsula, e, caso seja encontrada, a recomendação é avisar imediatamente a Autoridade Regulatória Nuclear para que equipes especializadas façam a retirada de forma segura.
Apesar do alerta, o órgão classifica o risco radiológico atual como muito baixo. Ainda assim, o episódio reaviva a memória do acidente de Goiânia, em 1987 - quando uma cápsula semelhante, manipulada de forma inadequada, contaminou centenas de pessoas e deixou quatro mortos.
O mundo muda rápido. Quem entende o contexto sai na frente. É isso que a Arca faz.